O ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), publicou uma decisão nesta quarta-feira, 15, em que intima lideranças de todos os 21 partidos com representação no Congresso Nacional para que prestem explicações, no prazo de dez dias, sobre como definem e distribuem emendas parlamentares.
A iniciativa ocorre no rastro da investigação sobre a suspeita de que dirigentes partidários contam com cotas de emendas de indicação, o que desrespeita a probidade pública.
Dino pediu esclarecimentos, sobretudo, em relação aos cinco itens abaixo.
- Se o Presidente do partido dispõe de cotas, reservas ou qualquer outro mecanismo de alocação de emendas parlamentares;
- Em caso positivo, sua natureza, finalidade e abrangência;
- A quem compete autorizar e deliberar sobre sua utilização; O fundamento jurídico-normativo que embasa a prática;
- O instrumento por meio do qual tais mecanismos são formalizados (normas, atas ou similares);
- procedimento efetivamente adotado para a definição e destinação dos respectivos recursos, por parte dos Presidentes dos partidos.
Em sua decisão, o magistrado reforçou o comunicado publicado na última terça-feira, 14, em que afirma que a deliberação de emendas parlamentares é uma prerrogativa exclusiva de parlamentares ativos. Para o ministro, é “totalmente anômalo que ex-parlamentares mantenham cotas orçamentárias informais e, diretamente, transmitam ordens para funcionários da Casa Parlamentar”.
O magistrado ressalta que os dirigentes partidários deverão esclarecer se dispõem de cotas, a quem compete autorizar e deliberar sobre emendas parlamentares e qual o procedimento efetivamente adotado para a definição e destinação dos recursos públicos.
A nova publicação decorre, segundo o documento, da percepção de que líderes partidários se manifestaram de forma contrária a essa premissa em declarações públicas.
Flávio Dino cita, em específico, a entrevista que Valdemar da Costa Neto, presidente nacional do PL, deu ao canal GloboNews. Valdemar disse ser “lógico” que presidentes de todos os partidos influenciem na destinação de emendas. “Mas é lógico. A função do presidente é cuidar do partido.”
Em entrevista à CNN Brasil na última sexta-feira, 10, Valdemar já havia opinado de forma semelhante, para ele seria “natural” um líder da legenda articular e influenciar politicamente a bancada.
O ministro embasa o destaque pelo fato do dirigente da direita estar à frente de “um dos maiores partidos brasileiros”, o que justificaria maior atenção às suas declarações.
O que dizem os partidos
A CNN entrou em contato com os 21 partidos citados na decisão. Em nota, o Novo afirmou que ” gestão partidária é completamente separada da atuação dos parlamentares”. A sigla negou que o atual presidente, Eduardo Ribeiro, e líderes anteriores da sigla tenham indicado, solicitado ou sugerido “a destinação de qualquer emenda parlamentar”.
O PC do B afirmou, em nota, que responderá ao despacho de Dino e informará que “a Presidência Nacional do PCdoB em nada interfere na destinação dos recursos orçamentários através de emendas parlamentares e que respeita integralmente a prerrogativa exclusiva de cada um dos deputados e das deputadas” que integram a bancada.
Renan Santos, presidente do Missão, afirmou em vídeo divulgado que o partido irá prestar contas e detalhar todas as emendas relacionadas ao deputado Kim Kataguiri (Missão-SP), único representante da sigla no Congresso.
“Vamos explicar todas as emendas e contar em detalhes como nós enviamos e porque nós enviamos, o porquê não estamos no ‘orçamento secreto’, e porque o nosso partido é absolutamente diferente dos outros”, disse Renan Santos. Ele também afirmou que iria “desafiar” outros presidentes de partidos a fazerem mesmo.
Marcus Neskau, presidente do PRD, e Alex Manente, presidente do Cidadania, disseram que ainda não foram informados ou notificados sobre a determinação. A assessoria do União Brasil informou que a sigla “não recebeu qualquer notificação do Supremo Tribunal Federal sobre esse assunto”.
Da Redação com informações de CNN Brasil
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