Início Site Página 124

MPAM cobra medicamentos, vacinação e ações contra violência à mulher em Manacapuru

0

O Ministério Público do Amazonas (MPAM) emitiu três portarias de instauração à disponibilização de fármacos nas Unidades Básicas de Saúde, ao acompanhamento do calendário vacinal e políticas públicas voltadas para mulheres vítimas de violência em Manacapuru.

A primeira portaria trata da regularização imediata de fármacos essenciais na Unidade Básica de Saúde FUNASA I. Vistorias apontaram a falta de diversos itens básicos que auxiliam no funcionamento da UBS. O MP destaca que a centralização de remédios em um único posto prejudica os moradores em situação de vulnerabilidade ao acesso dos insumos.

Foi estipulado o prazo de 60 dias para que a distribuição seja descentralizada. Caso haja descumprimento das diretrizes, haverá medidas judiciais contra os gestores por omissão no dever de garantir o direito social à saúde.

Calendário Vacinal

Outra recomendação do Ministério Público ao município foi referente à cobertura vacinal. Segundo o parecer, o objetivo é possibilitar acesso universal a imunizantes essenciais, em função do direito constitucional à saúde. O município deve fornecer relatórios detalhados sobre os índices de vacinação e os sistemas de controle utilizados. A prefeitura deve deixar detalhadas as estratégias na divulgação e logística que estão sendo adotadas.

O intuito é que Manacapuru atinja as metas nacionais de imunização. O promotor estabeleceu o prazo de 15 dias para que a Secretaria de Saúde informe os índices de 2025 do relatório de cobertura vacinal, especificando se os dados incluem vacinas de rotina ou apenas campanhas nacionais; se existe um sistema de controle eletrônico para gerenciar as doses aplicadas e se ele é atualizado, entre outras requisições referentes a controle e estratégias de divulgação.

Violência contra a mulher

Na última recomendação, o MPAM atenta para a necessidade de combate aos altos índices de violência doméstica na região e implementar serviços públicos voltados à proteção. O prazo de 15 dias foi estipulado para que a Assistência Social e o CREAS enviem relatório com as atividades desenvolvidas no ano de 2025, bem como serviços disponibilizados para mulheres vítimas de violência doméstica.

O relatório deve conter o número de vítimas atendidas, o relatório com o planejamento das atividades e serviços a serem desenvolvidos/fornecidos em 2026. A Polícia Militar deve informar à Promotoria de Justiça, no prazo de 15 dias, dados e resultados obtidos com a Ronda Maria da Penha, bem como o planejamento para o ano presente.

Todas as portarias de instauração são de autoria do procurador Vinícius Ribeiro de Souza, atuante na 3ª Promotoria de Justiça de Manacapuru.

Confira:

 

Ludmila Dias, para o Portal O Poder

Obra pública paralisada em Guajará com suposto prejuízo financeiro é investigada pelo MPAM

0

O Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM) instaurou Inquérito Civil para apurar possíveis irregularidades na execução da obra da Escola de Educação Infantil Tipo B, localizada no município de Guajará. A portaria foi assinada pelo promotor de Justiça, Ney Costa Alcântara de Oliveira Filho, no último dia 20 de fevereiro de 2026.

A investigação tem como foco a paralisação da obra, identificada sob o código 1006212 no Formulário de Obras Públicas Paralisadas ou Inacabadas de interesse da Educação Infantil.

De acordo com o MP, a paralisação ou não conclusão de obra pública voltada à educação infantil pode configurar violação ao direito fundamental à educação, além de possível lesão ao patrimônio público, em razão do risco de desperdício de recursos e prejuízo social.

O MPAM solicitou informações à Prefeitura de Guajará, à Secretaria Municipal de Educação, ao órgão de controle interno e ao Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM), com o objetivo de apurar aspectos técnicos, administrativos, financeiros e contratuais relacionados à execução da obra.

Segundo a Portaria, os elementos reunidos até o momento indicam a necessidade de investigação mais detalhada sobre a regularidade do processo licitatório, da execução contratual, eventual responsabilidade da empresa contratada e de agentes públicos envolvidos, bem como os impactos da paralisação na oferta de vagas em creche no município.

 

Da Redação 
Foto: Divulgação 

Irmãos Brazão são condenados a 76 anos e 3 meses por morte de Marielle

0

Por unanimidade, a Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) condenou nesta quarta-feira, 25, os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão pela morte da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ) e do motorista Anderson Gomes, em 2018. As penas foram de 76 anos e 3 meses.

Ex-conselheiro do TCE-RJ (Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro), Domingos Brazão foi um dos mandantes da morte da vereadora.

Segundo a PGR (Procuradoria-Geral da República), ele teria ordenado o assassinato de Marielle por interesses econômicos ligados à regularização fundiária em áreas do Rio dominadas por milícias.

Seu irmão, Francisco Brazão, conhecido como Chiquinho, era vereador da capital fluminense à época do crime. A PGR aponta que ele e Domingos agiram em conjunto na decisão de eliminar Marielle.

A vereadora, então colega de Chiquinho na Alerj (Assembleia Legislativa do estado do Rio de Janeiro), teria tido embates políticos sobre projetos de regularização urbana e uso do solo com os irmãos.

A acusação da PGR argumentou que ambos integravam uma organização criminosa com atuação na Zona Oeste do Rio, ligada a milícias, grilagem de terras e formação de currais eleitorais.

No Supremo, os dois foram condenados pelos crimes de:

  • duplo homicídio;
  • tentativa de homicídio; e
  • organização criminosa armada.

Além disso, os irmãos perderam seus cargos públicos e se tornarão inelegíveis a partir do trânsito em julgado (quando não cabe mais recurso). Até lá, terão os seus direitos políticos suspensos, incluindo o direito ao voto.

Os irmãos continuarão presos preventivamente até o julgamento se tornar definitivo. Domingos está detido no Presídio Federal de Porto Velho, em Rondônia, enquanto Chiquinho encontra-se em prisão domiciliar no Rio de Janeiro, para onde foi transferido depois de comprovar problemas de saúde.

Caso Marielle Franco

A vereadora Marielle Franco foi assassinada em 14 de março de 2018 no Rio de Janeiro, junto com seu motorista Anderson Gomes.

Nesta quarta (25), a Primeira Turma do STF condenou, por unanimidade, os mandantes de sua morte, após quase 8 anos do crime. Além dos irmãos Brazão, também foram condenados:

  • Rivaldo Barbosa: ex-chefe de Polícia Civil que atuou para acobertar o crime;
  • Ronald Pereira: policial militar reformado que monitorou a rotina de Marielle para repassar as informações aos assassinos;
  • Robson Calixto: ex-assessor e homem de confiança de Domingos Brazão que atuou em atividades relacionadas à exploração imobiliária irregular em áreas sob influência de milícias.

Em 2024, o júri popular também condenou Ronnie Lessa, que realizou os disparos contra Marielle e Anderson; e Élcio de Queiroz, que dirigia o carro usado na noite do crime.

 

Da Redação com informações de CNN Brasil

Até R$ 140 mil: magistrados punidos por acusações envolvendo crimes sexuais recebem valores turbinados com penduricalhos

0

Magistrados punidos pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) com aposentadoria compulsória — a sanção administrativa mais grave prevista na lei que rege o Poder Judiciário — continuam a receber valores que superam o teto constitucional de R$ 46,3 mil.

A lei garante que juízes e desembargadores aposentados compulsoriamente por faltas graves recebam um salário proporcional ao tempo de serviço no Judiciário. No entanto, esses valores são turbinados por penduricalhos identificados como direitos eventuais, direitos pessoais e indenizações, conforme contracheques disponíveis no painel de remunerações do CNJ, conforme divulgou o G1.

Na segunda-feira, 23, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), mandou suspender as verbas pagas a integrantes do Judiciário e do Ministério Público que não tenham amparo em leis aprovadas pelo Congresso. A decisão se soma a uma anterior, do ministro Flávio Dino, que suspende penduricalhos em todo o serviço público. O plenário do STF discute o tema nesta quarta, 25.

Entre os magistrados punidos com aposentadoria compulsória há acusados de crimes sexuais. As denúncias se assemelham ao caso do ministro Marco Buzzi, do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Ele não foi punido pelo CNJ, mas é investigado e foi afastado temporariamente do cargo após duas denúncias de assédio sexual. O ministro nega as acusações.

Entre 2012 e 2025, dois juízes e um desembargador foram aposentados pelo CNJ após denúncias de assédio e importunação sexual: Marcos Scalercio, Orlan Donato Rocha e Hélio Maurício de Amorim. Outro desembargador, Carlos Prudêncio, foi punido por não denunciar a exploração sexual de uma adolescente, embora soubesse do caso.

Mesmo sem trabalhar, os quatro recebem quantias que ultrapassam o teto constitucional. Em dois casos, até três vezes mais, considerando valores líquidos (após descontos na folha de pagamento). Entram na conta o salário proporcional ao tempo de serviço no Judiciário e outras verbas. Em alguns meses, há pagamentos retroativos que não são especificados.

O g1 tentou contato com as defesas de todos os magistrados citados, mas não obteve retorno.

Falta de transparência sobre penduricalhos

As decisões de Dino e Gilmar Mendes não especificam quais penduricalhos devem cair. Procurado, o STF não detalhou as verbas indenizatórias alvo das medidas. O STJ, por sua vez, não respondeu como ficará a remuneração do ministro Buzzi, devido ao seu afastamento temporário.

Segundo um entendimento de 2024 do CNJ, gratificações, benefícios e auxílios que não integrem o salário fixo de um magistrado devem ser suspensos quando ele for afastado do cargo por causa de um processo administrativo.

Taciana Santos de Souza, coordenadora de pesquisas do JUSTA, entidade que monitora gastos no Judiciário, critica a falta de transparência sobre pagamentos que favorecem magistrados punidos.

“Com muita recorrência observamos a aprovação de determinado benefício e a decisão de que ele será pago retroativamente. Mas não é possível compreender a dinâmica que permite um magistrado punido com aposentadoria receber também”, afirma.

As decisões de Dino e Gilmar Mendes não especificam quais penduricalhos devem cair. Procurado, o STF não detalhou as verbas indenizatórias alvo das medidas. O STJ, por sua vez, não respondeu como ficará a remuneração do ministro Buzzi, devido ao seu afastamento temporário.

Segundo um entendimento de 2024 do CNJ, gratificações, benefícios e auxílios que não integrem o salário fixo de um magistrado devem ser suspensos quando ele for afastado do cargo por causa de um processo administrativo.

Salário reduzido e valores acima do teto

Um dos casos de maior repercussão foi o de Marcos Scalercio, juiz do Trabalho substituto do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-2). O magistrado foi punido pelo CNJ com aposentadoria compulsória em maio de 2023 por assédio e importunação sexual.

O processo administrativo levou em conta os relatos de três vítimas: uma aluna de um cursinho preparatório, uma funcionária do TRT-2 e uma advogada que o juiz conheceu pelas redes sociais. Em março de 2025, a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão contra Scalercio, que é o único magistrado punido pelo CNJ por assédio ou importunação sexual que enfrenta uma investigação criminal.

O salário foi reduzido pela metade depois da punição, mas ele ainda ganhou acima do teto constitucional em dois meses: fevereiro e dezembro de 2025.

Desde junho de 2023, o magistrado recebeu — além do salário fixo mensal, que hoje é de R$ 18 mil — quase R$ 150 mil em direitos eventuais, direitos pessoais e indenizações. Em dezembro de 2025, o contracheque apontou uma licença-prêmio indenizada de R$ 18 mil.

No mesmo mês, também houve um pagamento retroativo de R$ 36 mil, que não foi especificado. O mesmo aconteceu em dezembro de 2024 e fevereiro de 2025 , com quantias de R$ 10,7 mil e R$ 55,4 mil, respectivamente.

Questionado sobre esses valores, o TRT-2 não se pronunciou. O g1 também procurou a defesa do magistrado, que não retornou o contato.

Desembargador chegou a receber R$ 140 mil

A punição mais antiga foi aplicada contra o desembargador Hélio Maurício de Amorim, do Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO), aposentado compulsoriamente em julho de 2012.

Ele foi acusado de assédio sexual por uma mulher que enfrentava um processo de separação. Segundo o processo no CNJ, a vítima foi ao gabinete do juiz, por indicação de uma amiga que era assistente dele, para obter orientação. Depois, ele foi até a casa da mulher, fora do horário de expediente, e tentou abraçá-la na cozinha.

À época, o magistrado alegou que a visita foi para discutir a possível contratação da filha da mulher, que ele havia prometido. Para o relator do processo no CNJ, conselheiro Jorge Hélio Chaves de Oliveira, a conduta do magistrado violou os deveres de moralidade, isenção e imparcialidade.

Não há informações sobre investigação ou processo criminal contra o magistrado.

De acordo com as informações do painel de remunerações do CNJ, que tem dados desde 2017, o desembargador recebeu R$ 3,6 milhões em direitos eventuais, pessoais e indenizações.

Somadas essas quantias com o salário fixo, que é de quase R$ 42 mil mensais, Amorim recebeu mais de R$ 100 mil líquidos em vários meses.

De 2017 a 2023, o desembargador teve, quase todos os meses, quantias identificadas apenas como “URV” e “decisão STF”. Em abril de 2022, apenas essas rubricas, classificadas como direitos eventuais, superaram os R$ 100 mil.

Somados outros valores, o vencimento líquido do magistrado, naquele mês, chegou a mais de R$ 140 mil. Isso era mais que o triplo do teto constitucional da época, de R$ 39,2 mil.

Entre os valores extras pagos ao magistrado estão uma “gratificação adicional” de cerca de R$ 14 mil, recebida todos os meses desde agosto de 2024, e um auxílio-saúde, pago desde 2020. Atualmente, o valor mensal é de R$ 6,2 mil.

Os descontos no contracheque são apenas de previdência pública, de Imposto de Renda em alguns meses, e cerca de R$ 10 mil de retenção do teto constitucional. Esse valor é descontado mensalmente desde junho de 2024.

Mesmo assim, em abril de 2025, o magistrado ainda recebeu R$ 86,6 mil líquidos, quase o dobro do teto de R$ 46,3 mil.

 O TJ-GO não respondeu ao contato da reportagem.

Auxílio-alimentação mesmo afastado do cargo

A punição mais recente ocorreu em dezembro de 2025. O juiz Orlan Donato Rocha, do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, foi denunciado por colaboradoras e uma servidora da unidade judicial onde atuava, em Mossoró (RN).

Segundo o processo no CNJ, os relatos apontaram um padrão de comportamento abusivo, com abordagens constrangedoras no ambiente de trabalho. “As vítimas relataram terem sido encurraladas em espaço fechado e perseguidas dentro do próprio gabinete”, disse Ulisses Rabaneda, relator do processo.

De acordo com o CNJ, o acórdão da decisão foi encaminhado à Advocacia Geral da União (AGU) e ao Ministério Público para possível ingresso de ação penal ou por improbidade administrativa.

A defesa do magistrado não retornou sobre o assunto.

Antes de ser punido, Rocha foi afastado preventivamente do cargo, durante a investigação. Pelas regras do CNJ, ele perde benefícios como auxílio-alimentação, abono de férias e licença compensatória durante o afastamento. Mas não foi isso que aconteceu.

Afastado em junho de 2024, o magistrado continuou recebendo auxílio-alimentação por mais de um ano, até outubro de 2025, o último contracheque disponível no painel do CNJ.

Em nota, a seção judiciária do Rio Grande do Norte informou que o magistrado apresentou um requerimento administrativo em agosto de 2024, pleiteando a manutenção de determinadas vantagens remuneratórias.

O pedido foi encaminhado ao CNJ, que se manifestou no mês seguinte, em 27 de setembro, pela continuidade do pagamento do auxílio-alimentação.

A mudança de entendimento do órgão aconteceu alguns dias depois, no julgamento de dois Procedimentos de Controle Administrativo, em 8 de outubro.

Na ocasião, a relatora do caso, conselheira Mônica Nobre, disse que “não se pode falar em indenizar o gasto para trabalhar a quem está afastado do trabalho”.

A nova decisão do CNJ, contudo, não foi adotada pelo TRF-5, que manteve o pagamento do auxílio-alimentação ao juiz em todos os meses seguintes.

R$ 100 mil mensais desde 2024

O desembargador Carlos Prudêncio, do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, foi punido pelo CNJ em 2014 por omissão. Segundo o processo, ele não denunciou a exploração sexual de uma adolescente.

O relatório do CNJ afirma que o desembargador não apenas tinha ciência da exploração sexual, como também incentivou a prática.

Desde 2017, segundo o painel de remunerações do CNJ, o magistrado recebeu R$ 2,8 milhões em direitos eventuais, pessoais e indenizações, além do salário fixo, atualmente em R$ 50,7 mil.

Entre os valores adicionais estão auxílio saúde, assistência médico-social, indenização de férias, pagamentos retroativos e licença-prêmio indenizada.

De agosto de 2024 a janeiro de 2026, o desembargador recebeu remuneração líquida acima de R$ 100 mil todos os meses. Em dezembro de 2025, o valor chegou ao triplo do teto constitucional: R$ 140 mil.

O TJ-SC e o magistrado não se manifestaram sobre o assunto.

 

Da Redação, com informações do G1
Foto: Divulgação/CNJ

STF forma maioria para condenar acusados de mandar matar Marielle

0

A Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) formou maioria para condenar os cinco réus acusados de planejar o assassinato da vereadora Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes, em 2018, no Rio de Janeiro. O placar está em três votos a zero para condenadar os acusados. 

Respondem ao processo o conselheiro do TCE-RJ (Tribunal de Contas do Rio de Janeiro), Domingos Brazão; o ex-deputado federal João Francisco Brazão, conhecido como Chiquinho Brazão; o delegado da Polícia Civil do Rio de Janeiro Rivaldo Barbosa; o ex-policial militar Ronald Paulo de Alves, o Major Ronald; e o ex-assessor Robson Calixto Fonseca, conhecido como “Peixe”.

Relator da ação penal na Corte, Alexandre de Moraes apresentou o primeiro voto e defendeu a condenação dos irmãos Brazão pelos crimes de duplo homicídio qualificado, tentativa de homicídio contra a assessora Fernanda Chaves e organização criminosa.

Ronald Alves, para Moraes, deve responder por duplo homicídio triplamente qualificado e tentativa de homicídio. Ele foi responsável por monitorar a rotina de Marielle e passar as informações aos executores.

Robson Calixto, por sua vez, deve ser responsabilizado apenas por organização criminosa na opinião do relator, por causa de sua associação com os Brazão nas práticas de grilagem e milícia.

Já quanto a Rivaldo Barbosa, Moraes afirmou não haver prova suficiente de que ele tenha participado do planejamento dos homicídios, apenas de que, no pós-crime, ele foi contratado para acobertar as mortes e garantir a impunidade. Com isso, o ministro defendeu a “adequação jurídica” da denúncia da PGR, votando para rejeitar a acusação por homicídio e para condenar o ex-chefe de polícia por obstrução de justiça e corrupção passiva.

Os ministros Cristiano Zanin e Cármen Lúcia acompanharam o relator na íntegra. Ainda resta o voto do ministro Flávio Dino. A decisão é tomada por maioria do colegiado. Em caso de condenação, o colegiado deverá fixar as penas.

Veja como votou cada ministro:

Alexandre de Moraes

Em voto, Moraes afirmou que o assassinato de Marielle e Anderson teve natureza política e foi motivado por interesses ligados à manutenção de esquemas de ocupação irregular do solo no Rio de Janeiro. Para o ministro, a execução teve também caráter simbólico, com o objetivo de “eliminar a opositora e mandar um recado aos demais opositores”.

“Domingos e João Francisco Brazão foram os mandantes do duplo homicídio e da tentativa de homicídio contra as vítimas. A instrução demonstrou que residia, no uso irregular do solo, a prática de grilagem. A preservação dessa atividade e do poder político no local foi essencial para a determinação dos irmãos Brazão em praticar o assassinato de Marielle”, disse.

De acordo com Moraes, Marielle teria se tornado uma “pedra no caminho” dos irmãos Brazão por sua atuação parlamentar. “Não há dúvidas de que a atuação de Marielle se tornou o principal obstáculo aos interesses da organização criminosa composta pelos irmãos Brazão e por Robson Calixto, fazendo com o que eles determinassem a eliminação desse obstáculo”, afirmou.

Moraes disse ainda que há “provas fartas” de que os irmãos Brazão tinham vínculo direto com as milícias cariocas. “Eles não tinham só contato com a milícia, eles eram a milícia”, disse.

Para o ministro, a escolha de Marielle também combinou fatores políticos e preconceituosos. Ele mencionou misoginia, racismo e discriminação, ao destacar que a vereadora era “uma mulher preta e pobre” que “peitava” interesses de milicianos na Zona Oeste do Rio.

Cristiano Zanin

Em voto, o ministro afirmou que ficou provada “uma estrutura estável, com divisão de tarefas” voltada à exploração de grilagem de terras por parte de Domingos Brazão e Chiquinho Brazão, destacando que as provas indicam exploração imobiliária ilícita e acúmulo de patrimônio.

Afirmou ainda que ficou demonstrado que o assassinato de Marielle teve o objetivo de “de tirar uma pedra do sapato da organização criminosa”.

O ministro mencionou elementos já destacados por Moraes, que, segundo ele, demonstram a dinâmica que levou à prática dos homicídios, como a infiltração de Laerte Silva no chamado “Escritório do Crime”, a ligação com integrantes da família Brazão, o monitoramento da rotina da vereadora e a preparação da execução.

De acordo com Zanin, toda essa dinâmica foi “amplamente documentada” e reforça a narrativa apresentada na colaboração premiada de Ronnie Lessa.

Zanin também destacou no voto a necessidade de responsabilização em casos que envolvem graves violações de direitos humanos.

“É imperiosa a necessidade de memória e responsabilização plena como instrumento de garantia da não repetição quando se está diante de casos que denotem graves violações a direitos humanos. Aqui, efetivamente, é um caso que envolve graves violações a direitos humanos”, afirmou.

O ministro defendeu que a resposta do Judiciário deve alcançar não apenas executores, mas também mandantes e estruturas de poder.  Segundo ele, as provas revelam “um quadro estarrecedor de captura do Estado por uma rede criminal complexa”, com ramificações em órgãos públicos estaduais e municipais no Rio de Janeiro.

Cármen Lúcia

Em seu voto, a ministra Cármen Lúcia se solidarizou com a família, presente no julgamento, e afirmou que o processo a afetou profundamente.

“Este processo tem me feito muito mal. Muito mal espiritualmente, muito mal psicologicamente”, disse.

Cármen mencionou nominalmente familiares das vítimas, como a filha e mãe de Marielle, e destacou que a vida daqueles que ficaram foi permanentemente marcada.

Ela disse ainda reconhecer os limites da Justiça diante da dor das famílias. “A justiça humana não é capaz de apaziguar essa dor. Esse julgamento é apenas o testemunho tímido da resposta que o Direito pode dar”, afirmou.

No mérito do caso, a ministra afirmou concordar com os apontamentos do relator quanto aos réus Domingos e Chiquinho Brazão, Robson e Ronald. “Me parece que a denúncia está amplamente comprovada”, disse.

Quando a Rivaldo Barbosa, concordou que não há provas para condená-lo por homicídio, mas sim por corrupção passiva por sua atuação de acobertamento.

Ela afirmou não ter colocado em seu voto a condenação do ex-chefe de polícia por obstrução de justiça. Mas aceitou reajustar e acrescentar a segunda condenação desde fique claro no acórdão de julgamento que a nova denúncia do ministério público contra Rivaldo, apresentada na última semana, sobre obstrução continue.

A ministra afirmou ainda que a atuação das milícias no Rio de Janeiro revela a instalação de um “feudalismo criminoso” dentro do próprio Estado brasileiro.

Segundo ela, os crimes praticados por esses grupos não afrontam apenas indivíduos, mas a própria soberania nacional. “Não é uma questão externa, é uma questão de um Estado brasileiro contra outro Estado”, disse.

 

Da Redação com informações de CNN Brasil

Foto: Divulgação

 

Dino fecha a porta, mas ministros e parentes já garantiram o banquete dos penduricalhos

0

O ministro Flávio Dino determinou a proibição de publicar atos ou novas leis na tentativa de garantir o pagamento dos chamados “penduricalhos”. Essas verbas de indenização, gratificações e auxílios foram suspensas no dia 5 de fevereiro e posteriormente dribladas.

Antes dessa definição, ministros e parentes de ministros já receberam esses benefícios e o pagamento era acima do teto do funcionalismo, fixado no valor de R$ 46.366,19. Os ministros Nunes Marques e André Mendonça receberam esses adicionais. Os parentes beneficiados foram a esposa do ministro Edson Fachin e a filha do ministro Luiz Fux. Na quarta-feira, 25, o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) vai julgar a liminar de Flávio Dino.

 

Da Redação

RR: Coligação pede que TSE retome julgamento sobre cassação de Denarium e vice

0

Na segunda-feira, 23, a Coligação Roraima Muito Melhor solicitou que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) retome o julgamento do recurso que pode cassar o governador de Roraima, Antonio Denarium (PP), e do vice Edilson Damião (Republicanos). 

O processo foi suspenso pela terceira vez no dia 11 de novembro, após o ministro Nunes Marques pedir vista. Pelas regras do TSE, um pedido de vista pode durar até 60 dias.

Com isso, Nunes Marques tinha até o dia 11 de janeiro de 2026 para analisar a ação e devolvê-la ao plenário da Corte.

“Estando exaurido o prazo regimental e encerrada a prorrogação única possível, resta viabilizada, de pleno direito, a inclusão do feito em pauta para prosseguimento do julgamento, independentemente de nova devolução formal dos autos”, diz trecho do pedido da coligação, que acusa o governador de crimes eleitorais.

Denarium foi cassado quatro vezes pelo Tribunal Regional Eleitoral de Roraima (TRE-RR). A ação que o TSE retomou e suspendeu nesta terça refere-se à terceira cassação, decidida em janeiro de 2024. Denarium e Edilson recorreram da decisão estadual, o que levou o caso para julgamento no TSE.

Caso tenham os mandatos cassados, ele e o vice podem recorrer da decisão ao Supremo Tribunal Federal (STF). O recurso, no entanto, não tem efeito suspensivo e eles são afastados dos cargos imediatamente.

 

Com informações de G1 Roraima

PL Antifacção é aprovado na Câmara sem taxação de bets

0

A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira, 24 o projeto que endurece a legislação contra organizações criminosas.

De autoria do Executivo, o texto passou por várias mudanças. Somente na Câmara, sob a relatoria do deputado Guilherme Derrite (PP-SP), que se licenciou da Secretaria de Segurança de São Paulo para tocar o assunto, foram oito versões.

Governistas pressionaram pela troca na relatoria da matéria. A escolha do deputado chegou a estremecer a relação do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Em novembro, a Câmara aprovou um texto muito diferente do elaborado pelo governo, cujo relator foi Derrite.

Em dezembro, o Senado aprovou outro, que retomava os principais pontos da proposta inicial do governo.

O projeto que agora segue para a sanção do presidente Lula cria um novo tipo penal, amplia penas, estabelece prazos diferenciados para inquéritos e fortalece instrumentos voltados à asfixia financeira das facções criminosas.

A taxação das bets para financiar ações na área da segurança pública, como desejava o governo, ficou de fora.

Cálculos apontavam que essa nova tributação levaria a uma arrecadação de cerca de R$ 30 bilhões ao ano.

Veja os principais pontos da proposta aprovada:

  • traz a definição de facção criminosa e a coloca como figura central das medidas de enfretamento;
  • tipifica condutas que passarão a ser tratadas como crimes de facção criminosa, com penas de 20 a 40 anos de prisão;
  • estabelece que a prática de crimes, como integrar, financiar ou comandar facções criminosas, configura fundamento suficiente para a decretação de prisão preventiva;
  • determina prazos para as atuações da polícia, do Ministério Público e do Juiz em inquéritos que envolvem facções criminosas;
  • amplia os mecanismos de bloqueio de bens e prevê a reversão dos valores dos bens do crime organizado aos fundos federais e estaduais de segurança pública.

Em uma publicação, a Secretaria de Comunicação Social do governo comemorou a aprovação do PL Antifacção, afirmou que o texto fecha possíveis brechas jurídicas que poderiam gerar impunidade para criminosos.

“O plenário da Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira, 24 de fevereiro, o Projeto de Lei Antifacção, iniciativa do Governo do Brasil que visa fortalecer o enfrentamento às facções criminosas no País. O arcabouço busca garantir criar novos instrumentos legais para o Estado Brasileiro investigar de forma mais célere, asfixiar o braço financeiro das facções e endurecer a responsabilização desses grupos ultraviolentos.”

 

Da Redação com informações de G1

Foto: Divulgação

PF mira ex-senador e filhos por suspeita de fraudes em emendas

0

A Polícia Federal (PF) faz uma operação nesta quarta-feira, 25, para combater uma organização criminosa acusada de movimentar um esquema de fraudes em licitações, corrupção e lavagem de dinheiro.

O objetivo da ação, denominada Operação Vassalos, é investigar a ocorrência de fraudes e desvios de emendas parlamentares. A suspeita é que o esquema tenha movimentado bilhões em recursos.

Segundo a TV Globo apurou, o ex-senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE) e os filhos, o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho e deputado Fernando Filho (União-PE), estão entre os alvos da operação.

De acordo com o blog da Camila Bomfim, a PF investiga suspeitas de negócios irregulares custeados com recursos de emendas parlamentares envolvendo a prefeitura de Petrolina (PE).

Forças de segurança cumprem 42 mandados expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em Pernambuco, Bahia, São Paulo, Goiás e Distrito Federal.

A defesa do ex-senador Fernando Bezerra Coelho e do deputado Fernando Filho informa que ainda “não teve acesso à decisão do ministro Flávio Dino. Os mandados vieram desacompanhados dos motivos que ensejaram as medidas cautelares. Após o acesso aos a autos, a defesa irá se manifestar”.

Como funcionava o esquema?

De acordo com a PF, a investigação aponta para a existência de uma organização criminosa suspeita de desviar recursos públicos vindos de emendas parlamentares, por meio do direcionamento de licitações para empresa vinculada ao grupo.

Em seguida, os valores desviados eram encaminhados para o pagamento de vantagens indevidas e ocultação de patrimônio.

 

Da Redação com informações de G1

Foto: Divulgação

Após postagem de Flávio Bolsonaro com linguagem neutra, aliados veem aceno ao centro

0

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fez uma postagem nas redes sociais utilizando linguagem neutra. Para aliados, o aceno é de que o pré-candidato à Presidência esteja visando o centro. Ele utilizou o termo “todes, todys e todXs”.

Segundo o senador, para ganhar as eleições é preciso contar com todos. O uso da linguagem neutra gerou críticas. Militantes reclamaram dos termos que são associados à esquerda e a pautas progressistas. Pessoas sugeriram que Flávio “se filiasse ao PSOL” e classificaram o post de “desesperador”.

Deputados da direita defendem Flávio. Maurício Marcon afirmou que a estratégia está correta, porque vencer a eleição depende de ampliar o eleitorado em direção ao centro. “O voto da direita ele já tem.”

Outros deputados viram uma tentativa de se diferenciar de Jair Bolsonaro. Desde que lançou a pré-candidatura, Flávio tem repetido que precisa se portar de forma mais moderada que o pai para ganhar de Lula (PT).

Segundo a equipe de Flávio, o risco de desagradar a militância bolsonarista está mensurado e afirma haver previsões de posturas radicais pontuais para manter este eleitorado, sendo feitos de forma comedida para não afastar o eleitor de centro.

No Carnaval, houve outro aceno a esse público. Ele fez uma postagem comentando o desfile em homenagem a Lula pela Acadêmicos de Niterói e falou a uma plateia mais diversa, batendo recorde de interação em suas redes.

 

Com informações de UOL Notícias