Início Site Página 397

Suframa regulamenta procedimentos e metodologias para análise de projetos industriais

0

A Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) publicou nesta segunda-feira, 25, uma portaria que regulamenta os procedimentos e metodologias pela qual a Coordenação de Análise de Projetos e Incentivos (Capi) deve gerir o recebimento, análise, tramitação e aprovação de projetos industriais pleno e simplificado, de atividades comerciais e de prestação de serviços, de empresas com vistas à concessão dos incentivos fiscais na Zona Franca de Manaus, Região da Amazônia Ocidental e Amapá, previstos em legislação própria. 

A portaria fala de algumas especificações para que as empresas estejam aptas a concorrer aos incentivos, além de como deve ser feito o projeto. A íntegra está aqui. 

Nova regulamentação de cadastramento de produtos 

Na semana passada, a Suframa também publicou a Portaria nº 1.701, de 18 de novembro de 2024, que estabelece diretrizes e procedimentos para o cadastramento de produtos na Relação Geral de Produto Padrão Suframa (RGPPS). A medida objetiva padronizar e otimizar o registro de itens incentivados nas áreas administradas pela Autarquia, promovendo maior transparência e eficiência na concessão e acompanhamento dos benefícios fiscais.

A portaria introduz conceitos como Produto Padrão Suframa e Tipo de Produto Padrão Suframa, além de regulamentar a inclusão das classificações fiscais com base na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). O objetivo é uniformizar nomenclaturas e características técnicas dos produtos para garantir aderência às legislações do Processo Produtivo Básico (PPB).

 

Priscila Rosas, para Portal O Poder

Foto: Divulgação

Ministério de Aeroportos devolve administração do aeroclube

0

O Ministério de Portos e Aeroportos devolveu a administração do Aeroclube do Amazonas. A decisão está publicada no Diário Oficial da União desta segunda-feira, 25.

De acordo com o documento, a exploração dos serviços aéreos está condicionada à manutenção das condições técnicas e operacionais definidas pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). As modalidades são as constantes das Especificações Operativas da associação privada.

Responsabilidade da Infraero

Em novembro do ano passado, a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) recebeu a outorga do espaço aeroportuário sediado em Flores, Zona Centro-Sul de Manaus, por meio da portaria nº 514 do Ministério de Portos e Aeroportos. O documento atribui à Companhia a administração, operação e exploração do terminal a partir desta data. Nele funcionam a sede do Aeroclube do Amazonas (ACA), empresas de táxi aéreo e escolas de paraquedismo, sendo de grande importância para a aviação regional de toda a Amazônia.

 

 

Da Redação

Seminf renova contrato milionário com empresários presos pela PF

0

A Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf) renovou, por meio de um termo aditivo, o contrato de R$ 14,6 milhões com a Construtora Soma LTDA para execução do programa “Asfalta Manaus – Lote 03”. Os sócios da empresa já foram presos pela Polícia Federal.

O termo aditivo foi assinado pelo então titular da Seminf, Heliatan Botelho Correa, em 11 de outubro, mas a publicação no Diário Oficial do Município (DOM) ocorreu apenas no último dia 21.

O valor total a ser desembolsado é de R$ 14.630.276,79 para recuperação viária na área central e Centro Histórico 3. A vigência do contrato é por mais 6 meses.

Empresários da Soma foram alvos da Polícia Federal

A Construtora Soma LTDA, registrada sob o CNPJ 01.088.713/0001-11, possui capital social declarado de R$ 17 milhões e tem como sócios Mauro Lúcio Mansur da Silva e José Paulo de Azevedo Sodré Neto. Ambos foram presos em junho do ano passado, na operação Entulho deflagrada pela Receita Federal, Polícia Federal e Ministério Público Federal (MPF).

As investigações apontaram indícios de sonegação fiscal, emissão de documentos falsos, lavagem de dinheiro e formação de organização criminosa. À época, os dois sócios também eram proprietários da empresa Tumpex, responsável por serviços de coleta de lixo e limpeza pública em Manaus.

Cúpula da Prefeitura de Manaus envolvida

O relatório da operação, obtido pela Revista Cenarium, cita o ex-secretário da Seminf e atual vice-prefeito eleito, Renato Junior, em diálogos interceptados pela Polícia Federal. Também foram mencionados o prefeito David Almeida e outro sócio das empresas investigadas.

A ‘Entulho’ deu origem à operação Dente de Marfim, que apura possíveis irregularidades envolvendo a empresa Mamute Conservação e o titular da Secretaria Municipal de Limpeza Pública (Semulsp), Sabá Reis. O secretário é investigado por suposta troca de favores, nomeações de parentes e recebimento de pagamentos indevidos.

Princípio da idoneidade ignorado

A continuidade de contratos com a Soma fere o principio da idoneidade, um pilar da administração pública. Apesar das acusações, o prefeito David Almeida e seus secretários ignoram o histórico de escândalos da empresa e seus proprietários.

 

 

Da Redação 

Ilustração: Neto Ribeiro

Governo Federal anuncia leilão para garantir energia em regiões isoladas no AM e PA

0

O Ministério de Minas e Energia (MME) estabeleceu diretrizes para realização de leilão voltado à aquisição de energia e potência elétrica para Sistemas Isolados nos estados do Amazonas e Pará. A Portaria Normativa GM/MME nº 92, de 21 de novembro de 2024, foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) da última sexta-feira, 22.

A medida tem o objetivo de garantir o suprimento eletroenergético, que é a instalação ou conjunto de instalações destinadas à geração e armazenamento de energia e entrega de potência elétrica, em regiões não conectadas ao Sistema Interligado Nacional (SIN).

O leilão, programado para 2025, será organizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e terá como foco o uso de fontes renováveis, que deverão compor ao menos 22% da energia gerada. Entre as exigências, as propostas deverão considerar soluções adaptadas às condições climáticas e logísticas da Amazônia, incluindo sistemas que permitam a operação otimizada de máquinas térmicas e planos para mitigar riscos de desabastecimento.

O edital do certame será lançado em 2025, com previsão de início do suprimento em dezembro de 2027. Além disso, os contratos contemplarão critérios para redução de emissões de CO2 e incentivos à utilização de renováveis.

O leilão será composto por lotes discriminatórios com os municípios beneficiados, disponibilidade de potência requerida para cada localidade e o período de vigência.

Regiões contempladas

Thaise Rocha para o Portal O Poder

Alívio após seca histórica no Amazonas

0

Depois de meses de estiagem severa, o Amazonas começa a vislumbrar um alívio com a chegada das primeiras chuvas. Embora ainda insuficientes para reverter completamente os impactos da seca, as previsões indicam que volumes maiores de precipitação estão a caminho, trazendo esperança para uma população que depende diretamente dos rios para viver.

A seca dos rios no estado chegou a um ponto crítico, com o Rio Negro batendo recordes históricos. A estiagem trouxe enormes dificuldades, principalmente para as comunidades ribeirinhas, que enfrentam desafios na locomoção e na obtenção de recursos básicos. A seca também causou prejuízos ao setor produtivo, ameaçou a vida de espécies da região, destacando a urgência de condições climáticas mais favoráveis para mitigar os danos.

Com a previsão de chuvas mais intensas, renasce a esperança de que os rios recuperem parte de seu volume e que a rotina das populações afetadas volte a uma relativa normalidade. Essa perspectiva de alívio é fundamental para garantir não apenas a mobilidade e o abastecimento, mas também para renovar o equilíbrio ambiental e econômico da região. Que as chuvas sejam abundantes, trazendo uma nova fase que o Amazonas tanto precisa.

 

 

Esmam promove lançamento da obra “Os 35 anos do Superior Tribunal de Justiça”

0

A Escola Superior da Magistratura do Amazonas (Esmam) promoveu na tarde de quinta-feira, 21, o lançamento, em Manaus, da coletânea “Os 35 anos do Superior Tribunal de Justiça – Volumes I, II, III e IV”. A obra teve a coordenação geral do ministro do STJ e corregedor nacional de Justiça, Mauro Campbell Marques, que participou da sessão de lançamento realizada durante a programação do “94.º Encontro Nacional dos Corregedores-Gerais de Justiça (Encoge)” e do “6.º Fórum Nacional Fundiário”, que ocorreu na capital amazonense nesta semana.

A obra conta ainda com a cooperação dos ministros Benedito Gonçalves (Direito Público – Volume I); Luis Felipe Salomão (Direito Privado – Volume II); Rogerio Schietti Cruz (Direito Penal – Volume III) e Sérgio Kukina (Direito Processual Civil – Volume IV). A organização é de André Azevedo Machado (Volumes de I a III), Bruno Augusto Sampaio Fuga (Volumes de I a IV), Fabiano da Rosa Tesolin (Volumes de I a IV) e Vinicius Silva Lemos (Volume IV).

A publicação homenageia as três décadas e meia de história do STJ e aborda os principais temas enfrentados pela Corte ao longo dessa trajetória. Os quatro volumes foram escritos por quase 100 juristas abordando temas avançados em suas respectivas áreas, resultando em mais de 1.800 páginas de artigos.

O diretor da Esmam, desembargador Flávio Humberto Pascarelli Lopes, disse que foi uma honra para a Esmam poder participar de mais um lançamento de livros sobre a coordenação do ministro Mauro Marques. “O ministro é professor de primeira hora da Esmam e esta coleção representa basicamente o pensamento do STJ. E é esse pensamento que deve guiar os operadores do direito. Daí a importância desse momento”, afirmou Pascarelli.

Em seu discurso, o ministro Mauro Campbell, que é amazonense, ressaltou que o Superior Tribunal de Justiça é uma manifestação maior diante da grande manifestação que é o Poder Judiciário deste país. Nesse contexto, frisou a importância dos juízes de primeiro grau, que estão na ponta da linha, atuam como ‘recepcionistas’ do Poder Judiciário e, por via de consequência, têm um contato direto com o cidadão, com o jurisdicionado do País,

“Deve-se dar a importância ao calibre de conhecimento e de trabalho feito por juízes, juízes, desembargadores e desembargadores. A justiça de um país só funciona a contento se ela for, em termos técnicos, ordinariamente realizada, recebida e realizada. E o Superior Tribunal de Justiça surge como uma peça essencial nessa engrenagem para fazer com que o direito que é dito aos amazonenses seja o mesmo direito que é dito aos goianos, aos cearenses, aos gaúchos, aos paranaenses, enfim. Foi para isto que veio o Superior Tribunal de Justiça”, declarou o ministro, referindo-se a uma das principais funções da Corte.

Criado pela Constituição Federal de 1988, é papel do Superior Tribunal de Justiça uniformizar a interpretação da legislação federal em todo o país – parcela de competência até então atribuída ao Supremo Tribunal Federal (STF) -, em recursos especiais originados em 27 Tribunais de Justiça e seis Tribunais Regionais Federais distribuídos pelo Brasil, além de sua competência originária prevista no texto constitucional.

O ministro Mauro considerou que, ao longo dessas três décadas e meia, o STJ evoluiu, afirmando-se como um corte de referência, não apenas pela quantidade de decisões proferidas, mas principalmente pela qualidade de seus julgamentos, criando disposições referenciais e estabelecendo vinculantes previdenciárias que pacificam o presente e orientam o futuro.

“Apesar de repleto de conquistas, o STJ também está diante de grandes desafios. Atingiu números de processos recebidos que sequer imaginávamos há cinco anos, próximos aos 500 mil processos. Tais números são incomparáveis ​​a qualquer corte de vértice em todo o mundo e certamente representam um importante momento histórico, diante da expectativa da implementação do filtro de relevância, criado pela EC 125/2022”.

Com informações do TJAM

Foto: Divulgação

MP do Amazonas instaura procedimento administrativo para acompanhar fiscalizações na Black Friday 2024

0

Para acompanhar as fiscalizações realizadas pelos órgãos de controle durante o período da Black Friday 2024, o Ministério Público do Estado do Amazonas, por meio da 81ª Promotoria de Justiça Especializada na Proteção e Defesa dos Direitos do Consumidor (MPAM/Prodecon), instaurou o procedimento administrativo nº 09.2024.00000840-5, para apurar supostas práticas abusivas na prestação de serviço por parte de eventuais fornecedores.

A medida foca em inibir práticas de venda de produtos impróprios para o consumo e a elevação dos preços das mercadorias sem justa causa para oferecer descontos enganosos. De acordo com a Prodecon, as práticas são consideradas vantagens excessivas sobre o mercado por infligirem direitos conforme o artigo 39 do Código de Defesa do Consumidor.

A ação se baseia no artigo 6º do CDC, que obriga que os vendedores forneçam informações corretas e claras sobre os produtos em quantidade, qualidade, composição, riscos de uso, tributos incidentes e preço final. Essa obrigatoriedade se torna ainda mais relevante no período de Black Friday, quando existe a prática comercial de redução de preços durante o mês de novembro de cada ano, com a finalidade de atrair consumidores por descontos expressivos

No procedimento, a promotora de Justiça Sheyla Andrade dos Santos solicitou aos Programas de Proteção e Orientação do Consumidor estadual e municipal (Procon/AM e Procon/Manaus) para que enviem, no prazo de 30 dias, informações sobre as eventuais denúncias e os resultados das fiscalizações referentes a Black Friday 2024. Os dois órgãos serão notificados.

Alinhamento

Na última terça-feira 19/11, o MPAM se reuniu com a Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) e a Prefeitura de Manaus para alinhar as campanhas de orientações a lojistas, com a finalidade evitar práticas enganosas, prevenir irregularidades recorrentes e garantir uma relação equilibrada entre os vendedores e consumidores na última semana promocional da Black Friday.

Com informações do MPAM

Foto: Divulgação

Prefeito de Novo Aripuanã vai comprar mais de R$ 3,4 milhões em eletrodomésticos e equipamentos industriais

0

O prefeito de Novo Aripuanã (a 1.373,7 quilômetros de Manaus), Jocione Souza, deve comprar mais de R$ 3,4 milhões em eletrodomésticos e equipamentos industriais para a prefeitura, as secretarias do município e demais estruturas. Embora assinado em 12 de março, o Despacho de Homologação do Pregão Presencial nº 085/2023 foi divulgado na edição desta sexta-feira, 22, do diário da Associação Amazonense de Municípios (AAM). 

Beneficiadas 

De acordo com o documento, três empresas com sede em Manaus venceram diferentes itens do pregão e devem receber o dinheiro da prefeitura. O Portal O Poder consultou as informações fornecidas pelo Governo Federal, através do Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica, sobre cada uma das empresas. 

O maior valor, correspondente a mais de R$ 1,8 milhão, vai ser pago para a R.G.Xavier Guimarães LTDA, inscrita no CNPJ nº 32.969.749/0001-38. A empresa tem como atividade principal o “comércio varejista especializado de equipamentos e suprimentos de informática” e dezenas de serviços como secundários. O capital social é de R$ 300 mil e seu sócio-administrador é Rúbia Gabriela Xavier Guimarães. 

Não é a primeira vez que a empresa é paga pela Prefeitura de Novo Aripuanã. Em 2021, o Executivo pagou um pregão que, somado, era de mais R$ 1,5 milhão. À época, a RG Xavier foi beneficiada com R$ 667,6 mil.

Neste mesmo pregão de 2021, a outra empresa beneficiada foi a A.C.Guimarães LTDA que, à época, recebeu R$ 847,8 mil. Ela também voltou nesta licitação publicada hoje. Ela receberá o menor valor, correspondente a pouco mais de R$ 543,9 mil.

Inscrita no CNPJ sob o nº 14.039.305/0001-11, a A C Guimarães tem capital social de R$ 500 mil. No documento, a atividade econômica principal é de “comércio varejista de artigos de papelaria”, porém a dezenas de serviços especificados como atividade secundária, incluindo a venda de diversos produtos. Seu sócio-administrador é Anderson Carneiro Guimarães. 

O E A Comércio e Serviços de Informática LTDA, inscrito no CNPJ sob o nº 15.353.644/0001-30, vai receber mais de R$ 1,08 milhão da Prefeitura de Novo Aripuanã. Sua atividade econômica principal é o “comércio varejista especializado de equipamentos e suprimentos de informática” e, assim como as outras, tem dezenas de serviços secundários. Com capital social de R$ 300 mil, o seu sócio-administrador é Everton Alves Ribeiro. Ela também já foi beneficiada em outras licitações da prefeitura. 

Mesmas empresas, licitação diferentes

Em setembro de 2023, o Portal O Poder noticiou que as empresas R.G.Xavier Guimarães LTDA, a A C Guimarães LTDA e a E A Comércio e Serviços de Informática LTDA tinham ganhado a licitação para aquisição de material de informática para a Prefeitura de Novo Aripuanã. O valor total foi de mais de R$ 1,2 milhão. 

Curiosamente, essas mesmas empresas venceram outro pregão em 2024, agora, para aquisição de eletrodomésticos e equipamentos industriais. Veja documento publicado no diário desta sexta:

 

Priscila Rosas, para Portal O Poder

Foto: Reprodução/Facebook

Prefeitura de Codajás pagará R$1,3 milhão para construir escola com duas salas

0

A prefeitura municipal de Codajás, por meio do prefeito Antônio Ferreira dos Santos, autorizou a contratação de uma empresa de serviço de engenharia para a construção de uma escola com duas salas e quadra poliesportiva coberta.

De acordo com o documento, publicado na última quinta-feira, 21, por meio do Diário Oficial dos Municípios, a empresa vencedora foi a Salazar Construções LTDA, que tem por sócios Fábio Sena Salazar e Gilza Mirna Alves Salazar.

O valor global do contrato ficou em R$1.322.000,00 (Um milhão, trezentos e vinte dois mil reais). O colégio deverá ser implantado na Comunidade Florisbela. O que impressiona é o valor do contrato, visto que a estrutura da unidade possuirá apenas duas salas. O processo de licitação ocorreu de forma eletrônica.

 

Ludmila Dias, para Portal O Poder

Foto: Divulgação

Venda de Sentenças: CNJ protagoniza desarticulação de esquemas no Judiciário 

0

O Supremo Tribunal Federal (STF) no desenrolar dos casos de venda de sentenças passou a conduzir a investigação envolvendo desembargadores do Mato Grosso do Sul. A mudança ocorreu após suspeitas de que um membro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) poderia estar envolvido no esquema.

As investigações são para apurar a participação de outros ministros e se eles tinham conhecimento sobre o esquema. Há também uma suspeita de que os assessores de gabinete possam ter induzido os magistrados ao erro, pois é função dos assessores preparar as minutas que subsidiam as decisões dos magistrados.

A Polícia Federal continua a investigação e segue sob sigilo. De acordo com a matéria da Veja, existe um comércio de sentenças que opera há pelo menos quatro anos no Brasil e nas mais diversas instâncias, inclusive no STJ, como foi levantada a suspeita. A PF emitiu 44 mandados de busca e apreensão expedidos pelo STJ em Campo Grande (MS), Brasília (DF), São Paulo (SP) e Cuiabá (MT).

Atuação do CNJ

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) teve papel importante no afastamento dos desembargadores que supostamente estão envolvidos na venda de sentenças. O ministro Luís Roberto Barroso citou que é necessário “prevenir situações futuras em casos de permanência dos desembargadores na jurisdição, com condutas reiteradas”.

Desde o início das investigações, o CNJ tem sido cauteloso com suas ações. Recentemente, a Corregedoria Nacional de Justiça realizou uma blitz, durante o recesso do Judiciário, com o objetivo de coletar informações que possam comprovar irregularidades na Corte Estadual.

O Tribunal de Justiça da Bahia foi alvo desse “pente-fino”, determinado pelo ministro-corregedor Luís Felipe Salomão. Na primeira inspeção, realizada em abril deste ano, o CNJ apontou indícios de “ineficiência grave” no judiciário. Como desdobramento, a desembargadora Lígia Maria Ramos Cunha Lima foi afastada do cargo, por unanimidade do CNJ, após seu nome ser associado a um esquema ilícito.

A magistrada foi apontada por supostamente participar de um esquema de venda de sentenças, que envolve casos de grilagem de terras no oeste da Bahia, e integrar organização criminosa de lavagem de dinheiro e corrupção.

Há fortes indícios de que as investigações se estendam para outros estados, na tentativa de mitigar os danos causados em decisões judiciais que foram vendidas. Esses casos demonstram uma série de falhas no sistema judiciário e a facilidade com que os lobistas e organizações criminosas se entrelaçam com a justiça no Brasil.

 

Ludmila Dias, para Portal O Poder

Ilustração: Neto Ribeiro/O Poder